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terça-feira, 2 de abril de 2013

morte

É com grande pesar que anuncio meu afastamento indeterminado do blog.
Ok, não que alguém ainda leia isso.
Não que o fim já estivesse subentendido há muito tempo.
Mas curto formalidades. Então, se você quiser me achar pra postagens futuras, aqui vai o novo endereço
http://denovoissonao.wordpress.com/

Apago a luz, beijos

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Texas Chain Saw Massacre (1974)

A greve na universidade está me saindo bastante produtiva, nos termos de ocupar o tempo livre com coisas que realmente importam. E nesse grupo está obviamente a minha árdua tarefa de cumprir o que o "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer" me obriga há dois anos.

Obrigações auto-impostas à parte, o caso é que fiz uma lista bem ampla de filmes para aproveitar na greve. Bem, não tão ampla assim, já que constam nela aproximadamente uns 30 filmes absolutamente essenciais, mas isso não vem ao caso agora. Mas o que acontece é que se verá aqui nos próximos tempos os comentários altamente pessoais sobre os filmes incluídos na lista. Mas quem se importa com esse detalhe não?

Vamos ao título de hoje: O Massacre da Serra Elétrica! E não estou falando das continuações relativamente recentes. Aquilo me parece lixo, com todo respeito aos admiradores do gênero (mentira, não respeito adolescentes fãs de slashs movies atuais não. Sou sectária rapaziada)


Leatherface, chatiado

Voltando ao foco principal, o negócio é que o filme me agradou bastante. Talvez por não esperar muita coisa desse gênero. Mas talvez porque, diferentemente dos filmes de terror atuais, esse realmente me impressionou. Não por jogar aquela sujerada típica na nossa cara, mas por deixar a aflição crescer a cada momento. Houve também aqueles elementos inesperados, que me fez imaginar que este é um dos filmes mais doentios que eu já tinha visto. A cada momento, uma situação chocante e que me deixava angustiada esperando que diabos de perversão viria a seguir.

O filme foi mais um que se inspirou no caso do senhorzinho Ed Gein, assim como Psycho (1960) e The Silence of the Lambs (1991). Feito com um orçamento bastante baixo, o filme conseguiu criar um novo padrão de serial killer com o divertido Leatherface. Mas esse não é um dos personagens mais curiosos do filme nem de longe...

Não vi as continuações, mas me parecem que a proposta do original foi deturpada. O próprio diretor Tobe Hopper afirmou que os outros da série erraram principalmente ao criar uma carnificina desenfreada, com as mortes ocorrendo de maneira "despropositada" e mais sanguinária do que o ideal. Quando li isso, notei que realmente, apesar do visual sujérrimo do filme, há pouco uso do sangue nas sequências, até mesmo naquelas de assassinato. Concordo com essa idéia de que o terror não precisa ser criado de maneira óbvia. Acho muito mais aterrorizante a sugestão do que a exposição, mas... Quantos concordam comigo hoje né?  

Essa foi mais uma deixa de cinema pros desocupados de plantão, e por favor, não assistam as versões posteriores antes dessa. Conselho meio inapropriado, mas não ligo.

Adeus.

sentimentalismo barato

 Keith tá, tipo, muito surpreso com isso

Um furacão parece ter passado por aqui, uou uou uou!

Mentira, o resultado dessa reformulação inesperada provém de uma conversa de bêbado, para o choque dos leitores provincianos.

Pois bem, aos fatos: após de um singelo copo de destilado (esta que vos escreve é uma viadinha e não é adepta das cervejas, anotem isso para referências futuras) comecei a verborragia que consequência direta da situação etílica que me encontrava. E, ao discutir o teatro de Brecht (com opiniões absolutamente heterodoxas) com meu primo cheguei a conclusão de que ele, deveria escrever um blog. Perdão a incoerência e a falta de linearidade na conversa, mas o álcool já tinha vida independente. Juro que tudo fará sentido no final.

O negócio é que comecei a imaginar que o meu subconsciente queria que EU, não meu primo, escrevesse (ou reescrevesse) num blog. Satori, eu sei.

Portanto, após esse motivo incongruente e, porquê não, rocambolesco, eis que retorno aqui.

Dane-se a essa nova época de tumbrls e botões "compartilhar" no facebook. Estou de volta com meus achismos mal escritos. E dessa vez, se alguém estiver lendo isso, e resolver que me ama e que eu devo virar musa da internet, por favor, dê seu jeito de divulgar essa bodega.

Isso é tudo.
p.s.: quanto aos bigodes... era pra  isso aqui ficar moderno-ultra-focker. Favor ignorar sua presença constante.

domingo, 17 de julho de 2011

Women at Work !


Estamos trabalhando na reformulação do blog! Aguarde...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Som e Fúria


Não, meu caro leitor desavisado, este não é um post sobre Shakespeare ou uma microssérie exibida pela Globo. A verdade é que achei esse título apropriadíssimo para um post sobre o filme Cisne Negro (Black Swan, no original).

Para outros desavisados de plantão, este não é um filme de balé convencional. Aronofsky ( O mesmo diretor de Requiem for a Dream e The Wrestler, veja só) retratou, de uma forma realmente convincente, o submundo das companhias de balé, com toda sua competição e extremismos. É um filme pesado, é verdade, e por vezes assustador, mas acredito que seja também um tipo de filme que agrade os amantes de longas sequências de dança aos adoradores de cenas sujas (aqui no sentido mais amplo!) e sanguinolentas (!)


Nina (Natalie Portman, surpreendente) é uma bailarina que nunca teve um papel de grande destaque nos balés, apesar de toda sua dedicação e técnicas perfeitas. Sua chance chega quando o produtor Thomas Leroy (Vincent Cassel, sempre um charme) lhe dá o papel da Rainha Cisne em uma nova versão do Lago dos Cisnes. Nina é realmente perfeita para o Cisne Branco, mas sua performance como Cisne Negro não passa de medíocre. Lily (Mila Kunis, que ganhou o prêmio de Atriz Revelação no Festival de Veneza por esse filme), uma outra bailarina da companhia, parece se enquadrar perfeitamente para o papel do Cisne Negro, e Nina não gosta nada disso. Com toda a pressão sobre si, dentro e fora de casa, Nina começa a ter uma série de alucinações em que se torna, aos poucos, a verdadeira Rainha Cisne. A questão é, se ela se tornasse de fato o personagem, seria perfeita em sua performance?


Tão surpreendente quanto a história (apesar de eu ter me lembrado de The Fight Club em vários momentos...) é o visual do filme. A ambientação é claustrofóbica e densa, e os cortes rápidos e a câmera de mão contribuem para isso. Mas simultaneamente, é um filme belo (mas não delicado!) de se assistir.

Inicialmente idealizado como um filme independente (a produtora, Fox Searchlight, é responsável por filmes como The Darjeeling Limited e (500) Days of Summer), Black Swan acabou atingindo o grande público devido ao grande sucesso no Festival de Veneza, em setembro do ano passado.

Quanto as grande premiações, o filme levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz, e tudo indica que haverá uma estatueta do Oscar na mesma categoria. Mas acredito que, infelizmente, o Oscar de Melhor Filme não será para Black Swan (por uma série de questões que discordo da Academia, mas vou deixar isso pra outro post).

Black Swan é sem dúvida um dos melhores filmes dos últimos tempos (É sem exagero que digo isso. Ultimamente, Hollywood vem me decepcionando!), e agora tenho o meu favorito ao Oscar (E se você leu o meu post sobre Inception, bem, Black Swan é melhor!)

Fico por aqui. Nos vemos na próxima!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Golden Globes: Red Carpet

Cerimônias de premiação como o Globo de Ouro, não só movem a indústria especializada, nesse caso a cinemátografica, como também a industria da Moda, e é sobre ela que vamos falar aqui.

O post com a cobertura completa da cerimônia, ficou dessa vez por conta da Carol, se ainda não leu, Check Out:  http://bit.ly/i59H5w

Então vamos lá, como todo grande e bom evento que reúne celebridades em uma enorme extenção de tapete vermelho diante da mídia mundial, sempre tem aquela que se destaca pela elegância e bom gosto, e aquelas que... nem tanto. 

Para começar vou listar os melhores na minha opinião:

  • Angelina Jolie - Misto de delicadeza e sofisticação, assim defino esse Versace. Com a grande tendência dos ombros estruturados, a cintura marcada, o brilho e a cor ousada por seu grande destaque, considero esse look da Angelina não só um dos melhores da noite como um dos melhores já usados por ela em outros eventos. A maquiagem e o cabelo deixaram bem clara a personalidade d atriz.

  • Anne Hathaway - Ai Armani Privé, preciso falar mais alguma coisa? Uma das coisas que mais chamam atenção não aparece na foto, que é o decote atrás que deixou as costas da Anne Hathaway à mostra, dando muita elegância ao vestido. O tom do cabelo, da pele e do vestido caíram como uma luva.
  • Megan Fox - Coicidência ser outro Armani Privé? Não, Armani é Armani e ponto! Adorei a cor e os detalhes delicados do vestido, a fenda na perna e a alça em um ombro só fazem o vestido. Acho que o vestido pedia um penteado mais elaborado.
      
        Destaco também os looks da Scarlett Johansson, Sandra Bullock, Eva Longoria, Jennifer Lopez, Olivia Wilde (apesar de ser um pouco exagerado) e Claire Danes (simples e elegantíssimo).

           Agora os digamos.... Menos interessantes:


 Não vou nem comentar, vou deixar os vestidos se autoarruinarem, ok? 

Sinto muito mas não pude evitar, Cristina Aguilera , mas o que é você dentro desse vestido????? Tenho inclusive a impressão que já vi esse vestido em algum lugar....
Bom caros leitores, nos vemos na próxima premiação! Hasta la vista....

M.L

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Golden Globe Awards 2011


E... Foi dada a largada para a temporada de premiações em Hollywood!

O Golden Globe Awards ( ou simplesmente Globo de Ouro) geralmente antecipa os futuros vencedores do Oscar, e esse ano não foi diferente. The Social Network ( A Rede Social) foi o grande premiado da noite, como era esperado. E apesar de The King's Speech ( O Discurso do Rei) liderar nas indicações ao prêmio, o filme só saiu de lá com apenas um Golden Globe, que foi para o ator Colin Firth.

A apresentação desse ano ficou por conta de Rick Gervais, que apesar das tiradas extremamente ácidas, não conseguiu estragar o clima da premiação. Houve também a entrega de um prêmio honorário à Robert De Niro pelo conjunto da obra.

Nas premiações relativas à televisão, as séries Glee e The Boardwalk Empire foram as grandes vencedoras da noite.

Agora, a lista completa dos vencedores

  • Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, por O Vencedor (The Fighter)

  • Melhor Atriz (Drama/TV)
Katey Sagal, por Sons of Anarchy

  • Melhor Minissérie ou Telefilme
Carlos
  • Melhor Ator (Comédia ou Musical/TV)
Chris Colfer, por Glee

  • Melhor Ator (Drama/TV)
Steve Buscemi, por Boardwalk Empire

  • Melhor Série (Drama)
Boardwalk Empire

  • Melhor Canção Original
“You Haven’t See The last of Me”, de Burlesque

  • Melhor Trilha Sonora
A Rede Social (The Social Network)

  • Melhor Animação
Toy Story 3

  • Melhor Atriz (Comédia ou Musical)
Annette Bening, por Minhas Mães e Meu Pai ( The Kids Are All Right)

  • Melhor Ator (Minissérie ou Telefilme)
Al Pacino, por You Don't Know Jack

  • Melhor Atriz (Minissérie ou Telefilme)
Claire Danes, por Temple Grandin

  • Melhor Roteiro
A Rede Social (The Social Network)

  • Melhor Atriz Coadjuvante (TV)
Jane Lynch, por Glee

  • Melhor Filme Estrangeiro
In a Better World

  • Melhor Atriz (Comédia ou Musical/TV)
Laura Linney, por The Big C

  • Melhor Ator (Comédia ou Musical/TV)
Jim Parsons, por The Big Bang Theory

  • Melhor Atriz Coadjuvante
Melissa Leo, por O Vencedor (The Fighter)

  • Melhor Diretor
David Fincher, por A Rede Social (The Social Network)

  • Melhor Série (Comédia ou Musical)
Glee

  • Melhor Ator (Comédia ou Musical)
Paul Giamatti, por Barney's Version

  • Melhor Atriz (Drama)
Natalie Portman, por Cisne Negro (Black Swan)

  • Melhor Filme (Comédia ou Musical)
Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right)

  • Melhor Ator (Drama)
Colin Firth, por O Discurso do Rei (The King's Speech)

  • Melhor Filme (Drama)
A Rede Social (The Social Network)


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Across the Universe


Não sou uma fã fervorosa de musicais. A verdade é que eu não tenho muita paciência para assisti-los, mas apesar disso The Wizard of Oz e The Sound of Music figuram entre os meus filmes favoritos.

Across the Universe (2007) também é uma exceção. Gostei bastante desse filme, apesar da narrativa ser bem lenta.

Jude (Jim Sturgess) é um garoto inglês de Liverpool que foi criado pela mãe e nunca conheceu o pai, que era americano. Ele parte então rumo aos Estados Unidos para descobrir a identidade de seu pai e, durante sua permanência no país, torna-se amigo de Max Carrigan (Joe Anderson).

Max tem uma irmã, chamada Lucy (Evan Rachel Wood), e não é difícil de imaginar que Jude e Lucy irão se apaixonar.


O filme peca um pouco ao dar muito mais ênfase no romance dos protagonistas (que na verdade não apresenta nada de novo), e todos os movimentos de contra-cultura do período funcionam apenas como um cenário para esse mesmo romance. O que é uma pena. Obviamente o objetivo de Across the Universe não era ser um documentário sobre esses movimentos, mas acho que muita coisa ali podia ser explorada.

Certos personagens são meio que descartáveis a narrativa, como Prudence (T.V. Carpio), cujo único objetivo no filme era representar a Revolução Sexual. Outros, como Sadie (Dana Fuchs) e Jojo (Martin Luther McCoy), são uma óbvia de homenagem a dois grandes ícones dos anos 60: Janis Joplin e Jimi Hendrix. Também há sequências, como "Dear Prudence" e "Being For The Benefit of Mr. Kite", que diminuem o ritmo da narrativa e não acrescentam muita coisa a história.

As atuações e as novas versões de músicas clássicas dos Beatles são interessantes. Destaque para a sequência "I Am the Walrus", onde Bono Vox interpreta um guru do LSD que comanda um ônibus alucinado, e "Strawberry Field Forever", onde cenas da Guerra do Vietnã são intercaladas com Jude "explodindo" morangos.

Um filme bastante colorido, psicodélico e água com açúcar ( com direito até a um final feliz improvável). Interessante de assistir, e de ouvir.





sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dorian.

(Originalmente publicado em "Empada com Tudo Dentro" em 20/03/2010. Como só agora o filme entrou no circuito nacional, resolvi postar novamente a resenha.)


O Retrato de Dorian Gray
, de Oscar Wilde, se tornou, hum, um tipo de nova "fixação". Comprei o livro há mais ou menos uma semana( e até o presente momento, não terminei de ler) e achei muito chocante. Então, resolvi baixar o filme. Só que existem umas três versões, uma de 1918, 1945 e uma de 2009, que tem uns 6 meses de lançamento, mas que não tem nem previsão de estréia no Brasil.

O que é uma pena. O filme realmente vale a pena ser visto. Tem o (gatíssimo) Ben Barnes (de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian) como personagem título, Colin Firth como o lorde Henry Wotton (duplamente Mr. Darcy!) e Rachel Hurd-Wood como a boba Sybil Vane (a Wendy da versão de 2004 de Peter Pan, lembra?).

A história foi bem adaptada. E deixa bastante explícito o que no livro fica nas entrelinhas. Tipo o relacionamento obviamente homossexual entre o entediante Basil Hallward (Ben Chaplin) e Dorian. E, pasmem, com direito a sexo entre os personagens, cuja cena o diretor teve a bondade de cortar. (imagina meu choque ao ver o Ben Barnes beijando outro homem! Já basta o Heath Ledger no Brokeback Mountain!)


Pois bem, vamos à história. Dorian Gray, uma rapaz extremamente bonito (OH Ben!) que está retornando à Londres depois da morte do avô e tutor lorde Kelso. Ele também é extremamente ingênuo, mas mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, acaba atraindo a atenção de parte da elite londrina. Nesse grupo, estão o pintor intelectual Basil Hallward, que nutre uma paixão secreta por Dorian ( não correspondida) e o dândi lorde Henry Wotton.
Basil resolve pintar um retrato do belíssimo Dorian. E enquanto isso, lorde Henry começa a atrair o pobre Dorian pra sua visão de vida e faz com que o rapaz perceba ao admirar em seu retrato pronto o quanto é bonito. Então, o garoto faz um pedido irreal de que ele próprio nunca perca sua beleza, enquanto o retrato sofra o peso da idade.
Daí, vemos Dorian virar um hedonista orgiástico, fumador de ópio e totalmente imoral, enquanto seu retrato vai se tornando cada vez mais horrendo, pois este vai absorvendo todas as feridas -físicas e morais- de Dorian
O final... Bom, não vale a pena estragar a surpresa. Mas se você já viu A Liga Extraordinária, provavelmente você se lembra do fim do Dorian Gray, certo? Senão, leia o livro. Ou veja esse filme. São ambos, de fato, muito bons.

Bem, nos vemos por aí. Vou tentar arrumar um quadro desse gênero pra mim.

Fiquemos com a melhor (e mais divertida) das teorias de lorde Henry Wotton:
"(...) - A senhora, duquesa, seria capaz de se lembrar de algum grande erro que tivesse cometido em tenra idade?
- De muitos, receio.
- Então, cometa-os de novo. - ensinou lorde Henry, sério. - Para se recuperar a juventude, basta fazer as mesmas loucuras."

domingo, 12 de dezembro de 2010

"I think of Dean Moriarty..."



Jack Kerouac ao escrever On the Road em 1951 não deve ter imaginado a tamanha repercurssão cultural que o romance causaria nas décadas seguintes. De inspiração auto-biográfica, Kerouac simplesmente escreveu sobre suas viagens, as paisagens e as pessoas do caótico (e deprimente) Estados Unidos do final da década de 40. E ao fazer isso, explicitou de forma bastante clara a vida e os ideais de indivíduos marginalizados e excluídos do american way of life.

Dean Moriarty (que é inspirado em Neal Cassady, um dos melhores amigos de Kerouac e um dos expoentes da geração beat) é um deliquente juvenil que procura Sal Paradise (o próprio Jack Kerouac) em NY para "aprender a escrever" e torna-se escritor. Dean é um garoto louco, cheio de ideais e sem nenhum rumo na vida. Sal é um jovem escritor obscuro que acabara de se separar da mulher e também não tinha muita idéia do que fazer da vida.

Em busca de alguma solução para as próprias vidas, os dois começam uma série de viagens, cheias de encontros e desencontros, rumo ao Oeste.

Uma infinidade de caronas, empregos, pessoas, bebidas e drogas fazem parte da trip dos dois. Além dos poetas e escritores loucos, das mulheres ciumentas e dos muitos casos amorosos dos personagens.

Apesar do protagonista do romance ser Sal Paradise, que sempre rouba a cena é Dean Moriarty. Os monólogos intensos e apaixonados a respeito da vida e das pessoas que cruzam seu caminho, a irreverência com que ele leva as coisas (como por exemplo, sua situação de bígamo, com uma esposa em cada costa dos Estados Unidos) e o estilo de vida do personagem formam uma mistura curiosa e interessante.

Além de ser uma das obras principais do movimento beat (ao lado de Naked Lunch, de William Burroughs e Howl de Allen Ginsberg), On the Road influenciou diretamente outros movimentos de contracultura, como o movimento hippie e o punk. E ainda teve influência em diversos artistas, como Bob Dylan, Jim Morrinson e Lou Reed.

Uma adaptação cinematográfica há muito planejada (por Coppola e anteriormente por Gus Van Sant), finalmente chega nos cinemas em 2011, com Sam Riley (Control) como Sal, Garrett Hedlund (Tron Legacy) com Dean, Kristen Stewart como Marylou e Kristen Dunst como Camille, com a direção de Walter Salles (Diários de Motocicleta). É esperar pra ver.

sábado, 20 de novembro de 2010

O crime dos sonhos



Christopher Nolan mostrou que existe vida pós Heath Ledger, quero dizer, pós The Dark Knight. A Origem (Inception no original. Mas acredito que a tradução literal, "Inserção", iria levar um monte de gente a acreditar que se tratava de um filme pornô.) mostra que ele pode ir além de Batman e outros thrillers quase noir.

A história se trata de ladrões que tem um jeito peculiar de agir. Eles simplesmente entram nos sonhos de gente importante e roubam senhas e coisas do gênero. Sim, sim, eles roubam dos subconsiente. Ficção, claro, mas muito inteligente.

Dom Cobb (Leonardo DiCaprio, mais inchado do que nunca) é um dos principais desenvolvedores desse projeto de invasão subconsciente. Mas obviamente não é um processo simples. Ele conta com a ajuda de Arthur (Joseph Gordon-Levitt), que lida com armas e bombas, coisas sempre esseciais a qualquer tipo de roubos (!).

Depois de tentarem um roubo frustrado na mente de Saito (Ken Watanabe), são contratados por ele para realizar algo um tanto diferente: ao invés de realizar a "extração" de idéias, eles deveriam inserir uma idéia (sobre a divisão das empresas) na mente de um jovem herdeiro industrial, maior concorrente de Saito.

O plano a princípio parece impossível. Mas eles conseguem ajuda de Ariadne, a arquiteta (Ellen Page) e Eames (Tom Hardy), que é capaz de assumir a forma de qualquer pessoa nos sonhos.

Os projetos e os preparativos indicam que tudo irá correr bem, mas ao entrar na mente do empresário Robert Fisher (Cillian Murphy), logo após a morte de seu pai. Mas alguns problemas sérios ocorrem. Principalmente com a personificação do subconsciente pertubado de Cobb, Mal (Marion Cotillard).



A princípio, você pode ficar meio confuso com o filme: os diálogos são rápidos e as explicações, excessivas e confusas. Mas depois dos "choque" inicial, o filme se torna extremamente interessante.

Por ser confuso e lidar com um tema bastante metafísico, o filme chegou a ser comparado com Matrix (1999). Para ser franca, não achei muitas semelhanças entre eles. Inception não tem a crítica social e política de Matrix. Mas aborda muito mais questões psicológicas que o segundo.

Os cenários e sequências, que deixariam Dalí e Buñuel satisfeitos, são bastante impressionantes. Destaque para a sequência de Paris, para Joseph Gordon-Levitt na gravidade zero e para o ultra-profundo-pertubado subconsciente de Cobb.

Com um aberto que vai deixar muita gente pensando no que aconteceu de verdade, Inception é um filme excelente, talvez um dos melhores do ano, e um forte candidato para o Oscar 2011.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

EMA 2010



Well, well, well, Ontem a noite aconteceu o EMA, Europe Music Awards, em Madrid e com a apresentação de Eva Longoria.

 A abertura da premiação ficou por conta da colombiana Shakira, que cantou seu novo hit "Loca" - o qual eu acho que deveria ter sido cantado em espanhol, uma vez que ela estava na capital espanhola - e "Waka Waka", tema oficial da Copa do Mundo, em homenagem a seleção da Espanha.


O restante da noite se dividiu entre as piadinhas clichês e sem graça da apresentadora (que geralmente a plateia força uma risada por pena!), as apresentações musicais  como as de Kate Perry, Miley Cirus e sua total falta de postura no palco, Kid Rock, Rihanna, Linkin Park, dentre outros. Além é claro, do mais importante, as premiações.

E falando nisso, não muito diferente do VMA, concordei com grande parte  dos vencedores, como: Lady Gaga (Artista Feminina do ano), 30 Seconds to Mars (Artista Rock), "Bad Romance"(Canção do Ano) e Shakira (Free your Mind). Mas como sempre... os questionáveis: Justin Bieber por Melhor Artista Masculino - não preciso nem comentar - Kate Perry por Videoclipe do ano com "California Gurls" . Primeriro que esse clipe foi lançado a poucos meses, ou seja, só se fosse Videoclipe do Meio Ano, e ainda assim... E segundo que como que um clipe tão óbvio e sem graça ganhou do "Love the way you lie" do Eminem, que teve até efeitos pirotécnicos???!!

Ah! Já ia me esquecendo, por que raios o Enrique Iglesias foi indicado como Artista Masculino???  Será por que foi na Espanha e ele é espanhol?? Tô sem entender até agora...

Confira a baixo a lista dos prêmios e premiados e veja o que foi justo ou não:

 Melhor alternativo
Gorillaz
Gossip
Paramore
Vampire Weekend
Arcade Fire
                                                                                                      
Melhor hip hop
T.I.                                                                                  
Kanye West
Eminem
Lil Wayne
Snoop Dogg                                                             

Melhor música
Usher - "OMG"
Katy Perry feat. Snoop Dogg - "California Gurls"          
Eminem feat. Rihanna - "Love the Way You Lie"
Rihanna - "Rude Boy"
Lady Gaga - "Bad Romance"

Melhor cantora
Lady Gaga
Katy Perry
Miley Cyrus
Shakira
Rihanna

Melhor artista europeu
Afromental
Dima Bilan
Enrique Iglesias
Inna
Marco Mengoni

Melhor clipe
30 Seconds to Mars - "Kings and Queens"
Katy Perry - "California Gurls"
Lady Gaga feat. Beyoncé - "Telephone"
Plan B - "Prayin'"
Eminem feat Rihanna - "Love the Way You Lie"

Melhor performance mundial de palco
Green Day
Muse
30 Seconds to Mars
Katy Perry
Gorrilaz
Tokio Hotel

Melhor grupo de rock
Kings Of Leon
Linkin Park
30 Seconds to Mars
Muse
Ozzy Osbourne

 


OBS.: Mais uma vez: Miley Cyrus, postura querida, postura! Não se deve ficar curvada no palco o tempo todo, a menos que se esteja interpretanto o corcunda de Notre Dame!

sábado, 30 de outubro de 2010

Halloween Night Fever


O Halloween é a amanhã e você não vai a nenhuma festa a fantasia nem nada do gênero. Bom, se você ficar em casa (como eu), talvez goste de assistir uns filmes sobre o tema, não? Fantasmas bizarros de crinças mortas, bruxas mal encaradas, mortos-vivos balbuciantes, e...

Ah! De novo tudo isso!

Nesse Halloween resolvi fazer umas sessões de cinema um pouco diferentes do habitual. E pra você (que como eu) não curte muito esses filmes sangrentos de terror, ou quer somente inovar sua programação halloweenesca, aqui vai uma pequena lista de "alternativos" para o Halloween:

  • As Bruxas de Salém (The Crucible - 1996)
Apesar do título brasileiro sugerir um filme sobre bruxas maléficas, As Bruxas de Salém é um drama daqueles bastante pertubadores.
O filme foi baseado numa peça teatral, que por sua vez foi baseada em acontecimentos reais ocorridos em 1692 em Massachusetts. A história se trata dos acontecimentos relacionados a histeria causada no vilarejo de Salém por um grupo de meninas encontradas praticando rituais vudus. Tal fato, desencadeia uma série de julgamentos e execuções (terríves, por sinal) de inocentes acusados de praticarem bruxaria. Um filme pertubador, como disse, mas muito interessante.



  • As Brumas de Avalon (The Mists of Avalon - 2001)
A minissérie de 3 horas de duração foi adaptada do livro de Marion Zimmer Bradley, que narra a trajetória das mulheres por trás da lenda do rei Artur, principalmente a de sua irmã Morgana.
A história se passa numa Inglaterra dividida entre o crescente catolicismo e a decadende religião celta de Avalon. Morgana, representa os interesses dessa última e tenta influenciar o irmão a manter o equilíbrio entre as duas religiões. Tudo em vão, aliás.
Uma história essecialmente feminista e mística, mas relativamente atual.
Geek entertainment, of course!


  • As Bruxas de Eastwick (The Witches of Eastwick - 1987)
E já que estamos falando de filmes um tanto feministas, nada como As Bruxas de Eastwick.
Três mulheres entediadas e insatisfeitas com suas vidas fazem um feitiço acidental que atrai o homem ideal para o pequeno vilarejo de Eastwick. E o relacionamento das três ao mesmo tempo com Daryl Van Horne causa certo rebuliço na comunidade local. Mas o que ninguém suspeitava (nem mesmo elas...) era que Daryl é o próprio Diabo.
Uma comédia engraçada, e por incrível que pareça, pouco apelativa!



  • Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice - 1988)
É impossível não falar de Tim Burton no Halloween. Os Fantasmas se Divertem conta a história de um casal que morre num acidente (um tanto esquisito) e ficam presos em sua própria casa.
Quando um casal yuppie e sua filha gótica (que consegue ver os recém-fantasmas) se mudam para a dita casa, o casal de fantasmas tenta "exorcizar os vivos" e pedem ajuda de um outro fantasma trambiqueiro chamado Beetlejuice, que tem uns métodos pouco convencionais (por vezes violentos!) para assustar os vivos e expulsá-los da casa.
O filme deu origem a umas série animada, que foi até transmitida aqui no Brasil. Mas poucos se lembram. O desenho era tão sórdido quanto o filme!

  • O Estranho Mundo de Jack ( Tim Burton's The Nightmare Before Christmas - 1993)
O filme conta a história de Jack, o Rei das Abóboras. Certo dia, ele descobre o reino do Natal, e fica maravilhado com as cores e a vivacidade do lugar. Ele resolve então raptar o pobre Papai Noel e criar um Natal a sua maneira.
Tão bacana quanto o filme posterior de Burton em stop-motion, A Noiva Cadáver.


  • The Rocky Horror Picture Show (1975)
Obviamente não podia ficar de fora!
Já comentei sobre ele uma vez aqui no blog, e o musical nada convencional se trata de um casal que se perde numa estrada deserta e acaba parando num castelo de um cientista travesti que quer usá-los para seus experimentos, hum, sexuais.
Extremamente kitsh, The Rocky Horror Picture Show continua sendo engraçado apesar dos seus 35 anos de idade.




Bom, meus caros leitores, por hoje é só.

Feliz Halloween (ou o que quer que isso signifique!)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lesser Matters


Cerca de um mês atrás, escrevi sobre a trilha sonora do filme Maria Antonieta (2006), e fiquei de comentar mais sobre a banda sueca The Radio Dept., cujas músicas "I Don't Like It Like This", "Keen on Boys" e "Pulling Our Weight" também fazem parte desse cd. Bom, depois de ouvir essa trilha sonora inúmeras vezes, resolvi ouvir um cd inteiro dessa banda, e agora ele é um dos mais tocados aqui em casa!

Lesser Matters, de 2003, é o álbum de estréia do The Radio Dept. A banda ganhou certo conhecimento após ter suas músicas colocadas numa trilha sonora tão impactante e diferente para um filme de época. Mas antes mesmo disso, esse álbum entrou na lista da NME dos Melhores Álbuns de 2004.

A banda tem seu estilo inspirado em Pet Shop Boy, Joy Division, Frank Sinatra e Charles Aznavour. E o resultado dessa mistura toda são em músicas com uma sonoridade bastante etérea, com refrões repetitivos e sintetizadores, teclados e bateria bem marcados.

Os pontos altos do cd são sem dúvida a ritmada "Where the Damage Isn't Already Done" e a depressiva "Your Father". Além dessas, o álbum possui muitas outras músicas interessantes, como "Strange Things Will Happen", "Ewan" e é claro, a dúbia "Keen on Boys".

Não creio que a banda possa ser considerada de rock propriamente dito, mas o disco é bem diferente e interessante.

Lesser Matters (2003)

01. "Too Soon"
02. "Where Damage Isn't Already Done"
03. "Keen on Boys"
04. "Why Won't You Talk About It?"
05. "Its Been Eight Years"
06. "Bus"
07. "Slottet #2"
08. "1995"
09. "Against the Tide"
10. "Strange Things Will Happen"
11. "Your Father"
12. "Ewan"
13. "Lost and Found"






quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Arruaça na vizinhança (Parte 1)

Com toda sinceridade - e indignação - eu confesso que nunca senti tanta raiva como tenho sentido ultimamente por meus novos e detestáveis vizinhos.

Mais ou menos em torno de 20 horas por dia, e não é exagero (e não é mesmo), a decibéis elevadíssimos (também não se trata de um exagero), que só se ouve músicas barulhos infernais como "Late, late que eu tô passando", "Chora, me liga, implora pelo meu amor...", "É de sainha...", enfim coisas desse nível, além é claro, do pagode. 

Há uma semana que a paz na vizinhança - que já estava ameaçada pelos outros inquilinos- se extinguiu por aqui. Os antigos moradores da hoje conhecida como Casa dos Horrores, azucrinavam nossa paciência somente às quartas e quintas, já esses ... nem sei como chamar, como dito anteriormente, o fazem durante todo o dia!

Só para completar o total inferno sonoro, meu cachorro fica estressado com o barulho e começa a latir! O som é tão alto que quando chamamos ele, o bicho não vem, porque simplesmente NÃO OUVE!

Definitivamente sinto que estou a ponto de enlouquecer. O único momento de silêncio é quando eles trocam o CD e quando dormem, por volta das 3h e 8h da manhã. 

Se você pensou: Por que não chamaram a Polícia? Aqui vai a resposta, uma moradora da outra rua (Sim, vc ñ leu errado, da outra rua) chamou, a paz durou exatas 2 horas.

Bom caro leitor, por quanto tempo mais eu aguento??? Sinceramente, acho que não muito.

 
M.L

domingo, 17 de outubro de 2010

O céu não é o limite

 (Postado originalmente no Blog De Armani a Zoomp, meu atual blog abandonado, no dia 29 de agosto de 2009).




Não, não se trata de um novo de filme hollywood, mas sim de uma história de amor entre um homem e um porco. Não é novidade para quase ninguém que George Clooney tinha um porco de estimação chamado Max, só o que ninguém sabia (embora eu tenha me empenhado em espalhar essa informação para a minha rede de amigos) era que esse pobre homem amava Max, The Pig mais que a própria vida! E sim, amava no pretérito imperfeito do indicativo pois Max, The Pig faleceu há exatos quatro anos, deixando seu dono e amigo George inconsolável. 

O suíno que viveu 18 anos de pura alegria e mordomia (não era para rimar, mas tudo bem!) sofria de artrite, além de ser parcialmente cego, morreu enquanto clooney promovia seu filme, "O segredo de Berlim". 

Clooney se viu em uma grande depressão e a sua única cia. era o sofrimento, e procurou ajuda para curar sua dor, george contratou uma Médium, segundo o jornal The New Zeland Herald:

"Ela me disse que Max foi muito feliz ao meu lado", contou Clooney a um amigo. Disse também que ele está muito contente e que ainda me acompanha de vez em quando. Não sei se está dizendo a verdade, mas quero acreditar nela.”

O ator declarou também que só guarda os bons momentos que passou ao lado do suíno, como por exemplo a vez em que pediu ao seu amigo John Travolta para levar Max, para passear em seu jatinho particular e as noites em que The Pig dormia com o ator (e eu não estou mentindo, tampouco aumentando a situação).

Caro leitor, qualquer forma de amor é muito bonita ainda mais quando o céu não é o limite!
O amor de George e Max, The Pig é um exemplo disso.

M.L

Tornando-se Jane


Jane Austen era uma espécie de dissidente. Mesmo vivendo em uma sociedade hermética e machista, ela agia e pensava de forma independente e isso era considerado muito inadequado para moças decentes.

O filme Becoming Jane (aqui no Brasil estranhamente traduzido como "Amor e Inocência") retrata a juventude da autora e as circunstâncias que envolveram e inspiraram o processo criativo de Orgulho e Preconceito, sua obra mais conhecida.

Jane (Anne Hathaway) era filha de um pastor anglicano e vivia uma vida relativamente confortável com mais 3 irmãos. Bem, ter 4 filhos naquela época implicava em ter uma vida sem muito luxo, e sua mãe (como uma pequena lembrança de Mrs. Bennet...) insiste que suas filhas se casem com homens mais ricos, pois tudo o que os pais conseguiram juntar ia somente para os filhos. Apesar de tudo isso, Jane se convenceu que só se casaria por amor. Senão, permaneceria solteira pelo resto da vida.

Nesse ínterim, chega à vizinhança de Jane um estudante de Direito irlandês chamado Thomas Lefroy (o bonitinho James McAvoy). A princípio o rapaz parece ser um tanto pretensioso e arrogante, e Jane logo passa a nutrir certa antipatia por ele. Mas como a sua estadia no vilarejo acaba se extendendo, os dois passam a se entender melhor e acabam se apaixonando.

Porém, Tom vive com uma mesada que seu tio lhe dá. E essa mesma mesada serve para sustestar toda sua família na Irlanda. Tal fato, torna inviável que Jane se case com ele, pois eles viveriam sempre na miséria. E o final da história de Jane é bem difrente dos finais de suas protagonistas.


O filme não é necessariamente uma biografia de Jane Austen. Os roteiristas recriaram sua vida com certas coincidências que estariam em seus romances. Lady Gresham (Maggie Smith) seria sua inspiração para Lady Catherine de Bourgh; Lucy Lefroy (Jessica Ashworth), as três inconvenientes irmãs Bennets mais novas; Mr. Austen ( James Cromwell) é claramente Mr. Bennet e sua mãe (Julie Walters), como já disse, é a Mrs. Bennet. Outros fatos como o jogo de cricket (esporte preferido de Catherine Morland, de A Abadia de Northanger), o pug de Eliza de Feuillide, que está sempre do lado de sua dona ( como Mrs. Bertram de Mansfield Park) e é claro, Tom Lefroy, que pode ter sido sua inspiração para o (maravilhoso) Mr. Darcy.

O único senão talvez tenha sido colocar uma atriz americana (Hathaway) para interpretar uma das mais amadas autoras inglesas. Fora isso, boas atuações, figurinos bem feitos e uma ótima recriação de época.

Becoming Jane é um filme que agrada todos os amantes da obra de Jane Austen e até mesmo aqueles que querem conhecê-la.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Concurso de Contos

O blog Que a Estante nos Caia em Cima lançou seu primeiro Concurso de Contos.

Para participar, você deve enviar um conto que tenha entre 750 a 1500 palavras, nos formatos Word ou PDF. A fonte deve ser Arial no tamanho 12. O tema para os contos é livre, e você deve mandar o seu até o dia 05/11/2010.

Mais informações em http://livrosimples.blogspot.com/2010/10/concurso-de-escrita.html

Mãos à obra e boa sorte!

Bennet versus Dashwood

(Publicado originalmente em "Empada com Tudo Dentro" em 02/06/2010)


Acho impossível ler livros de um mesmo autor e evitar comparações entre eles, ainda mais quando possuem temas tão parecidos; Acabei de ler Razão e Sensibilidade (1811), e apesar de ter gostado mais de Orgulho e Preconceito (1813), achei que também é um ótimo livro, e um dos melhores que já li. Resolvi então listar os pontos em comum entre ambos os livros, que vem a seguir:

Emma Thompson e Hugh Grant como Elinor Dashwood e
Edward Ferrars na versão cinematográfica de 1995
de
Sense and Sensibility

  • A narrativa
Orgulho e Preconceito, apesar de ter sido publicado após Razão e Sensibilidade, foi escrito antes. Por isso considero a história mais original, e é possível ver alguns elementos de O&P em R&S, apesar do segundo ser mais realista em relação ao primeiro. Semelhanças como a falta de fortuna das protagonistas (e como isso atrapalha na escolha de maridos), personagens intrometidos e inadequados, revelações do caráter de alguns personagens considerados decentes, rompimentos amorosos (que em R&S são mais bruscos do que em O&P.) e protagonistas masculinos reservados, mas passionais, podem ser vistas entre os livros.

Alan Rickman e Kate Winslet como Cel. Brandon
e Marianne Dashwood na versão cinematográfica
de 1995 de
Sense and Sensibility

  • Personagens
As semelhanças entre os personagens é uma das coisas mais marcantes:
- Elizabeth Bennet é a fusão entre Elinor Dashwood e Marianne Dashwood, pois consegue manter suas reações emotivas e racionais em equilíbrio; Já as irmãs Dashwood entram em um equilíbrio em relação aos seus sentimentos com a aproximação do fim da trama, pois durante o resto da narrativa são levadas a tomar atitudes guiadas, como diz o próprio livro, pela razão (Elinor) e pela sensibilidade (Marianne).
-Coronel Brandon, solteirão sisudo que tem interesse por Marianne Dashwood em R&S, lembra Mr. Darcy, o também sisudo protagonista de O&P. A diferença crucial entre ambos está no fato de que o Coronel Brandon é muito mais simpático e humilde que Darcy [!]
-Os antagonistas de ambos os livros, Wickham e Willoughby, possuem desvios de caráter, são mentirosos e caluniadores. A diferença entre eles está no fato de que Willoughby se arrepende de seus atos ( que com certeza são piores que de Wickham!) e tenta se redimir.
-Mrs. Jennings, a viúva rica que cisma em casar os outros e é extremamente intrometida, lembra bastante Mrs. Bennet, mãe da protagonista de O&P, que também tem fixação em casar as filhas e age de forma inadequada em vários momentos, causando certos prejuízos para as filhas mais velhas.
-Mrs. Ferrars, mãe de Edward Ferrars, que é apaixonado por Elinor, é uma espécie de Lady Catherine de Bourgh. Mas não tem tanta expressividade quanto a segunda, apesar de ambas, por nao aceitarem certas uniões amorosas, façam de tudo para prejudicar os envolvidos.
-Mrs. Fanny Dashwood, cunhada das protagonistas, não pode ser realmente comparada com Caroline Bingley, pois é consideravelmente pior que a segunda. Mas ambas são personagens arrogantes e frívolas.

Keira Knightley e Matthew Macfadyen
como Elizabeth Bennet e Fitzwillian Darcy
na versão cinematográfica de 2005
de
Pride and Prejudice


Para aqueles que se interessaram pela história, mas que não querem ler o livro [!], indico as versões para o cinema dos livros, Sense and Sensibility (1995) e Pride and Prejudice (2005). Ambas são excelentes!



Au Revoir!